terça-feira, 15 de abril de 2008

Série Recordar é Viver


No ano de 2005 mantive por um tempo uma coluna no jornal O Diário (Campos-RJ). Entre artigos e entrevistas, ela era publicada toda sexta-feira. Vira e mexe, estarei postando algumas delas aqui no blog. E para começar: Humberto Gessinger. Na época eles (Engenheiros do Hawaii) fizeram um show em Campos-RJ no Parque de Exposições. Publicado em 30/09/2005
Engenheiros do Rock Nacional

Amanhã será um dia especial para os amantes do rock nacional de Campos. Estará se apresentando bem próximo ao nosso Paraíba do Sul uma banda criada as margens do rio Guaíba em Porto Alegre que ainda é referência no cenário da música pop no Brasil. Os Engenheiros do Hawaií aportam na planície prometendo fincar estacas sólidas de um rock bem feito e com letras sempre bem elaboradas pelo chefe de toda essa engenharia de boa música, o vocalista e multiinstrumentista Humberto Gessinger.

Entre uma escala e outra na longa estrada divulgando o CD e o DVD “Acústico MTV”, gravado este ano com músicas de várias fases do grupo, Humberto Gessinger fala de vários assuntos na entrevista. Amante da literatura e sempre muito bem antenado com a política e economia do Brasil ele revela sua tristeza com a atual situação política do país e da felicidade nesse novo trabalho. Confira.

Gustavo - Quando a onda os “acústicos” não era moda no pop rock nacional, os Engenheiros já haviam feito “Filmes de Guerra, Canções de Amor” de 1993. Quais foram as diferenças principais que você destacaria entre esse trabalho e o atual, “Acústico MTV”, por exemplo, tecnologicamente falando?
Humberto - “Filmes De Guerra Canções De Amor” me parece mais cerebral e o Acústico MTV mais emocional. Tecnologicamente não há muita diferença, já que nos dois a ênfase é na humanidade da música. Acho que conseguimos evitar os modismos do projeto acústico com o tipo de produção que adotamos. Não gravamos só hits nem procuramos convidados que não pertencessem ao universo dos Engenheiros do Hawaíi. Foi o disco que mais gostei de gravar e espero que esta felicidade tenha ficado registrada.

Gustavo - Como surgiu a idéia da viola caipira nas músicas dos Engenheiros nesse mais recente trabalho? Como foi sua identificação com este instrumento tipicamente mineiro?
Humberto - É um instrumento fascinante, hoje, o que mais gosto de tocar. Demorei para chegar a ele pois na música do sul ele não é presente. Aqui temos a tradição da gaita e do violão com cordas de nylon. Gosto muito dos compositores nordestinos, Zé Ramalho, Belchior, Alceu Valença, e da música caipira, especialmente Pena Branca & Xavantinho. O mais interessante é inserir um instrumento de raízes tão fortes no universo Engenheiros sem que soe falso.

Gustavo - Onde você se sente mais à vontade: Estúdio ou Ao Vivo? Guitarra ou Baixo?
Humberto - Este ambiente do acústico é o que me deixa mais à vontade...Com viola, harmônicas, piano... É como se eu tivesse completado uma viagem e chegado à casa.

Gustavo - Quais são seus amigos no rock nacional e quem da nova geração lhe agrada?
Humberto - Meus melhores amigos não tem nada a ver com o universo musical. Pra compor é fundamental não se achar profissional, não perder contato com a vida das ruas. Gosto do astral do Pato Fu e do Los Hermanos. Acho parecido com Engenheiros.

Gustavo - O que mudou no rock gaúcho dos anos 80 pra cá? E o que você acha que o diferencia de outros centros como o de São Paulo e Brasília?
Humberto - Não conheço profundamente as cenas, mas me parece que o mundo todo está mais pragmático, menos visionário. São os tempos e a música reflete isso.

Gustavo - Por falar em Brasília, qual sua opinião sobre o que vem acontecendo na Capital?
Humberto - Tô tão triste que nem consigo ficar com raiva...Dá uma sensação de cansaço, parece que andamos, andamos, andamos, mas não saímos do lugar: era uma esteira.

Gustavo - Você também é fã de futebol. E o Grêmio? Tá duro ver o Inter na primeira e o tricolor na Segundona?
Humberto – O campeonato da segunda é muito divertido, cheio de gols... Mas se der pra voltar para a primeira, eu agradeço.

Gustavo - Vocês estão sendo muito aguardados aqui em Campos. Deixe um recado para os fãs que irão ao show. O que poderemos esperar?
Humberto - Digo que o Acústico é o melhor show da carreira da banda.

4 comentários:

Xacal disse...

não sei se você era nascido ou se lembra...
em 1987 havia um festival ALTERNATIVA NATIVA, patrocinado pela Mesbla...

Assisti a três antológicos no maracãnazinho lotado...paralamas, engenheiros e legião...

bons tempos....

Gustavo Rangel disse...

Nascido eu era sim, mas não me lembro bem não. Mas tenho um DVD de um programa da Globo, o "Mixto Quente" lembra? com Celso Blues Boy, Barão, Lobão, Legião, ângela Rô Rôe por aí vai.

Gervásio Neto disse...

Esse DVD é by Cegueira??rsrrs
Tb tenho esse!! Muito legal ver a galera novinha e chapada!!rsrs
Dá-lhe Engenheiros!! Sábado eles foram no "Altas Horas"...vc viu???
saudações alvinegras!!rs

Xacal disse...

lembro é claro...
era sábado à tarde...gravado ao vivo na praia, acho que era a Barra, nessa época vazia, ainda..

Lembro do Barão Vermelho nesse programa..